Primeiro mata-mata com a camisa do Vasco e pressão máxima no Maracanã
A poucos meses de sua chegada ao Vasco da Gama, Carlos Cuesta já se vê inserido em um dos cenários mais emblemáticos do futebol brasileiro: um mata-mata de Copa do Brasil, em clássico contra o Fluminense, no Maracanã. Para muitos jogadores, esse tipo de jogo costuma gerar ansiedade. Para o zagueiro colombiano de 26 anos, no entanto, o discurso é de serenidade e consciência do desafio.
Durante entrevista coletiva, Cuesta resumiu a semifinal com uma frase curta, mas carregada de significado: “É tudo ou nada.” Segundo ele, jogos de Copa têm uma lógica própria, cruel e direta, onde qualquer erro pode ser fatal.
“Na Copa é simples: se perde, está fora. Não tem tempo para lamentar. É tudo ou nada para nós e para o torcedor.”
O defensor já sabe o que é vencer o rival. Ele esteve em campo na vitória por 2 a 0 sobre o Fluminense, em outubro, em um momento que representou o auge do Vasco na temporada. Agora, porém, o contexto é outro — e Cuesta não ignora isso.
Do melhor momento do ano à queda de rendimento
A lembrança daquela vitória traz à tona um contraste claro. Naquele período, o Vasco de Fernando Diniz vivia sua fase mais sólida: sequência de resultados positivos, desempenho convincente e até esperança real de brigar por uma vaga na Libertadores.
De lá para cá, o cenário mudou drasticamente. A equipe acumulou sete derrotas nas últimas oito partidas do Brasileirão, uma queda abrupta que frustrou o torcedor e interrompeu qualquer tentativa de arrancada final.
Cuesta reconhece o momento difícil, mas evita discurso fatalista. Para ele, o futebol apresentado não desaparece de uma hora para outra — o que muda é a eficiência e o controle emocional.
“Cada derrota ensinou algo. Algumas porque o rival foi melhor, outras porque criamos muito e não matamos o jogo. Não se pode perder cinco partidas seguidas em um clube como o Vasco.”
Mesmo assim, o zagueiro garante que a confiança para o clássico decisivo permanece intacta. O foco da semana, segundo ele, está em corrigir erros recorrentes e evitar que pequenos detalhes voltem a custar caro.
Copa do Brasil exige outro tipo de postura
Para Cuesta, a semifinal exige uma abordagem diferente daquela adotada em jogos de pontos corridos. Na Copa, não existe margem para recuperação futura. Cada lance ganha peso maior, e a concentração precisa ser absoluta do primeiro ao último minuto.
O colombiano destaca que a experiência em competições eliminatórias o ajuda a lidar com esse tipo de pressão. O entendimento é simples: não há espaço para distração, nem para oscilações prolongadas dentro da partida.
Essa mentalidade, inclusive, tem sido uma das cobranças internas do elenco, que sabe que o desempenho recente no Brasileirão não pode contaminar o espírito de decisão exigido no mata-mata.
Adaptação ao Rio e identificação rápida com a torcida
Fora de campo, Cuesta surpreendeu pela rapidez com que se adaptou ao Rio de Janeiro. Após seis anos atuando no futebol europeu, o retorno à América do Sul foi visto como uma mudança positiva, tanto profissional quanto pessoal.
“Chegar aqui foi como voltar para Medellín. O sol, a alegria das pessoas… foi uma mudança para melhor.”
O zagueiro revelou que recebeu mensagens de torcedores antes mesmo de desembarcar no Brasil, algo que facilitou sua integração. A estreia em São Januário marcou profundamente o jogador.
“Quando senti a energia do estádio pela primeira vez, pensei: ‘isso é incrível’.”
Para entender melhor a cidade e o ambiente do futebol carioca, Cuesta contou com ajuda de compatriotas, inclusive jogadores que atuam em clubes rivais, como Gabriel Fuentes e Carrascal, além do apoio de Andrés Gómez.
Fernando Diniz: treinador que ensina e cobra
Um dos pontos mais destacados por Cuesta na entrevista foi sua relação com Fernando Diniz. O zagueiro revelou que o contato com o treinador começou antes mesmo da assinatura do contrato, em conversas por telefone que foram determinantes para sua escolha pelo Vasco.
“Ele é um treinador que gosta de ensinar. Eu queria estar com alguém assim.”
Dentro de campo, o impacto foi imediato. Cuesta descreve o início como um período intenso, com grande volume de informação tática, principalmente na saída de bola e na leitura de jogo.
“Nos primeiros dias era muita informação. Agora vejo o quanto isso é importante para facilitar o jogo dos homens da frente.”
Segundo o defensor, a exigência diária e a energia de Diniz são diferentes de tudo o que já vivenciou na carreira, inclusive na Europa.
Parceria defensiva e busca por regularidade
Cuesta também comentou sobre a parceria com Robert Renan, destacando a qualidade técnica do companheiro e a facilidade de jogar ao seu lado.
“Ele tem muita qualidade. Jogar com ele é fácil. Tivemos jogos muito bons e outros nem tanto, mas isso faz parte.”
Para o colombiano, o principal desafio coletivo do Vasco neste momento é a regularidade. A equipe mostrou que pode competir em alto nível, mas ainda oscila demais.
“Se o Vasco quer algo grande, precisa ser regular. Estamos aprendendo para que isso não se repita em 2025.”
A semifinal surge, portanto, como uma oportunidade de resposta imediata.
O peso da camisa e os objetivos pessoais
Cuesta afirma que sempre soube da grandeza do Vasco, mesmo antes de jogar no Brasil. Na Colômbia, o clube é reconhecido como uma instituição histórica do futebol sul-americano.
“Todos sabem que é um time grande da América do Sul. Jogadores que passaram por aqui sempre falam isso.”
Sobre o futuro, o zagueiro prefere manter os pés no chão. Seu foco imediato é se consolidar como um dos principais jogadores do elenco. Sonhos maiores, como seleção e Copa do Mundo, ficam para depois.
“Primeiro, preciso jogar muito bem aqui. O resto vem depois.”
Opinião do autor: mata-mata pode redefinir a percepção sobre o Vasco
Bom, essa semifinal é mais do que um simples confronto eliminatório. É um jogo que pode redefinir a percepção sobre o time após semanas de frustração. A fase é ruim, isso é inegável, mas mata-mata tem outra lógica — e o Vasco já mostrou, em momentos pontuais, que sabe competir quando é desacreditado.
Cuesta parece entender bem o tamanho do desafio. Sua postura serena, combinada com discurso firme, transmite algo que o torcedor sente falta: segurança. Se o Vasco conseguir transformar a pressão em combustível, esse clássico pode marcar um ponto de virada emocional para o elenco.

